Afirmava o mestre de Viena, Freud (1997), sobre o “amor”: “nunca estamos tão mal protegidos contra o sofrimento como quando amamos, nunca estamos tão irremediavelmente infelizes como quando perdemos a pessoa amada ou o seu amor.”
O amor traz uma certa vivência de “completude”: de segurança ao estar com a pessoa amada, o carinho, o cuidado de si, o prazer. Entretanto, o amor revela o seu outro lado dialético, o de administrar seu cotidiano inesperado: de ciúmes, posse, indiferenças, traições, etc., além do seu mais dolorido momento que pode ocorrer: a “perda”.
Diante da perda na relação amorosa, as pessoas procuram saídas:
Umas não suportam a dor e vão buscar alívio no mundo das drogas.
Outras, imediatamente, arrumam uma outra pessoa para substituir a perda, mesmo ainda não fazendo o luto da relação anterior.
Há pessoas que não aceitam a perda, e mesmo na ausência do “amado”, vivem em fantasia pelo resto da vida, como se ele estivesse presente ao seu lado.
E há pessoas que buscam o caminho mais polêmico: o “suicídio”.
Por que essa trágica “dor” da perda instaura uma vivência tão dolorida?
Segundo o psicanalista francês J.D. Nasio (1997): “O que é o luto? É uma reação à perda de um objeto de amor.” Essas reações sendo múltiplas: uns entram em depressão, perda de apetite, outros passam a ter insônia, perdem a motivação de viver, outros se calam e se fecham em si, outros passam a não acreditar mais em amor, enfim, são vários os sintomas. A dor é tão forte que basta uma simples lembrança da vivência amorosa: música, cheiro, objetos, etc., que logo a pessoa já fica mal. Todavia essa mesma dor acaba sendo um mecanismo de defesa e uma reação pela perda do objeto amado, uma maneira de usar todas as forças vivas para manter viva a imagem mental do eleito amado.
Mas o que se perdeu com o desaparecer da pessoa amada? O psicanalista Nasio argumenta: “o que perdi antes de tudo, é o amor a mim mesmo, que outro tornava possível.”
Sobre o luto, Jacques Lacan (1997) argumenta: “fazemos o luto daqueles que, por sua vez, foram para nós o objeto, a falta, o suporte pulsional do nosso eu ideal.”
Como superar a dor da perda no amor?
É decisivo saber que a perda da pessoa amada não retira a “pulsão de viver”, na possibilidade em que a pessoa enlutada possa verbalizar sua dor no espaço de acolhimento e aceitação, o “divã analítico”, no sentido de ressignificar seu existir e superar a perda, para uma nova possibilidade de amar.
Continuaremos a refletir em outro momento o dizer de Lacan: “foram para nós (…) falta e suporte pulsional.”
Parece que sempre na existência “falta” alguma coisa, o que seria?
O amor não seria uma tentativa de suprir essa falta?
Prof. Fabio Luis Rodrigues Figueredo – psicanalista –
LACAN, Jacques. Escritos: Tradução de Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Zahar, 1998.
NASIO,J.-D. O livro da dor e do amor : Tradução, Lucy Magalhães. – Rio de Janeiro: Zahar, 1997.

“nunca estamos tão mal protegidos contra o sofrimento como quando amamos, nunca estamos tão irremediavelmente infelizes como quando perdemos a pessoa amada ou o seu amor.”
ResponderExcluirQual livro?